Simples Palavras

Saturday, April 02, 2005

A carta

Leio e releio vezes sem conta o bilhete que me deixaste no bolso das calças. Procuro encontrar o teu olhar na janela, mas há dias que insistes em não aparecer.

Respiro fundo e sento-me ao computador, ligo a música, pego em papel e caneta e deixo-me levar ao sabor da escrita.

Não sei concretamente o que escrevo, sei apenas que deixo fluir os sentimentos. Relembro os olhares, os encontros fortuitos, o leve tocar que os nossos corpos sentiram.

Escrevo tudo no papel, que delicadamente coloco dentro de um envelope. Encho-me de coragem e sorrio a ver-te de novo à janela. Aceno-te com a carta.

Ficas envergonhado a olhar para mim, agarro nas chaves e desço as escadas a correr. Entro no teu prédio e peço ao porteiro que te entregue o envelope em mãos.

Junto a ele vai uma pequena margarida azul, uma das minhas flores preferidas. Um simples pedido depois de muitos sentimentos “despojados” numa folha de papel:

“Aceitas almoçar comigo?!”

Saturday, March 12, 2005

O Bilhete

"Os meus olhos trespassam o vidro frio e incolor, focando-te ao longe. Estou silenciado, com o olhar em chamas a delinear cada centímetro do teu rosto. És tão bela. Por detrás desse rosto jovial, vejo uma mulher cheia de garra e misticismo. As pontas dos meus dedos tocam no vidro como que a acariciar o teu rosto longínquo. Estás tão longe e tão perto ao mesmo tempo. Quando terei a oportunidade de sentir o teu respirar perto do meu? Sonho com isso a cada segundo que escorrega por entre os ponteiros do relógio. Quero fundir-me com o teu ser numa explosão de amor, carinho, confiança e prazer. Quero esquecer que o tempo passa e contemplar-te até cair adormecido contigo por perto. Quero... tanto! Volto a violar a transparência à minha frente e imagino-te deste lado. Adoro-te tanto..."

Este foi o bilhete que te deixei no bolso das calças quando caíste à minha frente...

Friday, February 11, 2005

Troca de olhares

É de manhã e uma saudade imensa de sentir o cheiro do mar, de o sentir a beijar-me os pés, acariciando-me docemente e com delicadeza, percorre-me o corpo e a alma. Deitada na cama, abro um pouco da janela e oiço as ondas a banharem as rochas.

Tomo duche ao som da voz de Adriana Calcanhoto, apanho o cabelo e visto uma roupa desportiva. Desço as escadas a passo de corrida, dispensando o elevador.

Quando saio do prédio, vejo-te com o mesmo estilo de roupa e dirigindo-te também para a praia. Quase que paras quando os nossos olhos se encontram, sustenho a respiração e ao sentir-me corar, ao de leve, apresso a corrida.

Corro ao longo da linha do mar e sinto alguém atrás de mim, piso uma pedra em falso e torço o pé.

“Aiii!”

Ajoelho-me no chão e automaticamente sinto os teus braços a segurarem-me, sentas-me e descalças-me o ténis enquanto as lágrimas rolam pela minha face. Dores dilacerantes percorrem-me a perna, não consigo pronunciar palavra e os nossos olhos ficam a absorver-se mutuamente.

O meu pensamento voa, não consigo despregar os olhos de ti, não consigo e nem quero… A única coisa que me sai da boca é um sussurro quase imperceptível.

“Adoro-te… Obrigado”

Wednesday, January 26, 2005

Regresso

Regresso… Abro a casa, as janelas… Deixo entrar o ar fresco enquanto me deixo envolver pela beleza da lua cheia e pela simplicidade de cada estrela que salpica o céu.

São quatros horas de uma madrugada diferente. Tentei espreitar pela "tua" janela e não consegui, essa permanece fechada. Não sei se passado este tempo que tive fora ainda ali te encontras.

Nunca mais soube nada de ti e ao que parece a minha rosa foi esquecida e pisada pelas centenas de pessoas que se passearam pela rua.

O mar está calmo e eu tento absorver toda a energia que ele transmite. Não resisto e desço até à praia. Mergulho os pés nas ondas do mar, enquanto o meu rosto é mergulhado pelas lágrimas, pela tristeza, desilusão e solidão.

Volto ao meu recanto. Pareceu-me ver luz na tua janela.

Será que ainda existes?! Será que ainda te recordas de mim?! Será… Será… Será?!

Saturday, January 01, 2005

Saudade

Antes de abalar para Lisboa, por tempo indeterminado, observo o lado de fora da janela minuciosamente. Observo o pôr-do-sol, observo o mar, observo as pessoas que se passeiam pela rua alegremente, pensativas ou apenas num vulgar regresso a casa.

Olho para a tua janela e vejo vultos, mas de ti nem sinal. Desço as escadas com melancolia, carregada de malas e sacos… Volto a subir ao apartamento.

Fexo a janela por onde tantas vezes te observei em último. Olho para tua casa mais uma vez… nada de ti. Começo a baixar a persiana e heis que surges, vindo do nada, aparecendo simplesmente diante de mim… Olho-te bem na profundeza do olhar, começo a chorar e toco na janela como se tocasse no teu rosto. Desapareço por detrás do plástico branco.

Desço as escadas a correr, numa tentativa de conter as lágrimas. Quando entro no carro surges na porta do prédio, com ar de quem procura algo. Ligo o carro e arranco, não sem antes abrir o vidro, olhar para ti uma última vez e deixar cair uma rosa azul com um pequeno bilhete. “Adoro-te, mesmo não te conhecendo… Vou ter saudades”.

Friday, December 31, 2004

Ciumes

Desde o encontro da praia que quase desapareceste do mundo. Levo noites… dias… tardes à janela e tu nada. Não te vejo há séculos e começo a ficar desesperada. Aquilo que sinto por ti é demasiado forte para continuar a viver sem ti, a viver sem os teus olhares.

Ao final de um dia em que me encontro totalmente de rastos, observo, inconscientemente, a tua janela. O coração cai-me aos pés. Ao teu lado encontra-se uma mulher lindíssima. Fico estupefacta com o seu longo cabelo negro, os seus olhos castanhos profundos e o seu corpo escultural.

Estão apenas a conversar, mas não vou negar que o ciúme consome-me o peito.

Fecho a persiana com tamanha força, mesmo para tu te aperceberes do que estou a sentir.

Não sei se olhaste ou não, só sei que me vou deitar a chorar. Senti-me traída. Quero-te só para mim. Eu quero.

Thursday, December 23, 2004

Mar e Amar

Viver perto do mar, de um sonho passou a realidade. Sentir sempre as temperaturas amenas provocadas pela humidade daquele imenso paraíso, ainda com muito para descobrir, sempre considerei uma dádiva.

Ao fim do dia, paro o carro em frente de casa, subo para pousar as coisas. Desço livre: sem telemóvel, mala ou qualquer documento identificativo. Apenas transporto as chaves de casa no bolso das calças.

Chego à linha de areia, paro e descalço-me. Adoro sentir a areia fria a desvanecer-se nos pés. Desloco-me até ao mar, sento-me no chão e deixo o pensamento fluir lentamente, sem pensar quanto tempo demoro ali, a única coisa que quero é libertar tudo o que estou a sentir.

Quando me levanto olho para o lado esquerdo e vejo-te, sentado precisamente na mesma posição em que me encontrava à segundos atrás. Mais uma vez os meus olhos perdem-se nos teus, mais uma vez procuro diluir-me no teu ser e deixar-me invadir pelo doce sentimento do amor, paixão e fidelidade.

Tornaste-te no Deus que quero venerar e amar para todo o sempre.