A carta
Leio e releio vezes sem conta o bilhete que me deixaste no bolso das calças. Procuro encontrar o teu olhar na janela, mas há dias que insistes em não aparecer.
Respiro fundo e sento-me ao computador, ligo a música, pego em papel e caneta e deixo-me levar ao sabor da escrita.
Não sei concretamente o que escrevo, sei apenas que deixo fluir os sentimentos. Relembro os olhares, os encontros fortuitos, o leve tocar que os nossos corpos sentiram.
Escrevo tudo no papel, que delicadamente coloco dentro de um envelope. Encho-me de coragem e sorrio a ver-te de novo à janela. Aceno-te com a carta.
Ficas envergonhado a olhar para mim, agarro nas chaves e desço as escadas a correr. Entro no teu prédio e peço ao porteiro que te entregue o envelope em mãos.
Junto a ele vai uma pequena margarida azul, uma das minhas flores preferidas. Um simples pedido depois de muitos sentimentos “despojados” numa folha de papel:
“Aceitas almoçar comigo?!”
